Thursday, March 19, 2026

    Dólar cai após confiança fraca dos consumidores e preocupações económicas

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    Dólar cai após confiança fraca dos consumidores e preocupações económicas

    O dólar registou uma queda significativa na terça-feira, 25 de fevereiro,
    pressionado por uma leitura fraca sobre a confiança do consumidor dos EUA e uma
    redução nos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano. O índice do
    Conference Board caiu sete pontos, atingindo 98,3, abaixo da estimativa de
    102,5, o que gerou incertezas no mercado cambial e levou investidores a
    repensar suas estratégias em relação à moeda norte-americana.

    Motivos para a desvalorização do dólar

    A principal razão para a queda do dólar foi o recuo na confiança do
    consumidor dos EUA, o que indica uma possível desaceleração da economia
    norte-americana. Brian Jacobsen, economista-chefe da Annex Wealth Management,
    destacou que, apesar da melhoria na avaliação da situação actual, as
    expectativas futuras dos consumidores são negativas, o que pode impactar o
    comportamento dos mercados financeiros e de consumo.

    Outro factor que contribuiu para a desvalorização foi a queda nos
    rendimentos das notas do Tesouro a 10 anos, que caíram 8,9 pontos base para
    4,304%, atingindo o menor nível em dois meses e meio. Essa redução sugere uma
    maior aversão ao risco por parte dos investidores, que buscam alternativas mais
    seguras em meio às incertezas económicas globais.

    Impacto global e reacção dos mercados

    O índice do dólar, que mede a força da moeda em relação a uma cesta de
    divisas, recuou 0,39% para 106,33, enquanto o euro subiu 0,37%, sendo cotado a
    US$ 1,0505. Além disso, a moeda norte-americana enfraqueceu 0,44% frente ao yen
    japonês e 0,5% em relação ao franco suíço. O dólar chegou a atingir uma baixa
    de quatro meses e meio contra o yen (148,56) e uma mínima de nove semanas
    contra o franco suíço (0,8913).

    A libra esterlina também se valorizou 0,3%, atingindo US$ 1,2662,
    impulsionada pelo compromisso do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de
    aumentar os gastos com defesa para 2,5% do PIB até 2027. Essa decisão reforça a
    confiança na economia do Reino Unido e fortalece a moeda britânica perante a
    incerteza global.

    No mercado de criptomoedas, o bitcoin sofreu uma desvalorização de 7,78%,
    sendo cotado a US$ 86.669,58, refletindo o aumento da aversão ao risco entre os
    investidores. Esse declínio também foi influenciado pelo recente ataque hacker
    à bolsa Bybit, que comprometeu a confiança no setor das criptomoedas.

    Efeitos das políticas económicas e comerciais dos
    EUA

    A incerteza sobre o crescimento económico dos EUA também aumentou devido às
    tarifas comerciais previstas para entrar em vigor na próxima semana contra o
    Canadá e o México. Donald Trump reafirmou que as tarifas serão aplicadas
    conforme planeado, o que pode agravar as tensões comerciais e afectar a
    recuperação económica global.

    Joseph Trevisani, analista sénior da FXStreet, afirmou que os mercados em
    geral não gostam de tarifas e que qualquer movimentação agressiva nesse sentido
    pode criar um efeito cascata de incerteza nos mercados cambiais e de
    investimento.

    O Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou que, apesar
    dos indicadores económicos aparentemente estáveis, a economia dos EUA enfrenta
    vulnerabilidades significativas, incluindo a volatilidade das taxas de juro e a
    inflação persistente. Ele também destacou que o crescimento do emprego tem sido
    impulsionado pelo sector público, um fator que pode limitar a recuperação
    sustentada do mercado de trabalho no País.

    Perspectivas futuras e reacção dos investidores

    Diante deste cenário, os investidores estão a monitorar de perto os
    próximos movimentos da Reserva Federal dos EUA. O Presidente da Reserva Federal
    de Richmond, Tom Barkin, reforçou a necessidade de uma abordagem cautelosa na
    política monetária, afirmando que o banco central esperará sinais claros de que
    a inflação está a convergir para a meta de 2% antes de tomar novas decisões.

    A volatilidade do dólar pode continuar no curto prazo, dependendo da
    evolução das políticas económicas e das incertezas comerciais. Enquanto isso, a
    crescente procura por ativos de refúgio, como o franco suíço e o yen japonês,
    sugere que o mercado financeiro global permanece em alerta para possíveis
    mudanças na estabilidade económica dos EUA e do mundo.

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    Fonte: O Económico

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