Línguas em Moçambique
A diversidade linguística de Moçambique é uma das expressões mais marcantes da sua identidade cultural e resulta tanto da presença milenar de diferentes povos bantu quanto do impacto profundo da colonização portuguesa. Antes da independência, o português europeu era imposto como norma obrigatória na administração, na educação e na vida pública, integrando a política de assimilação destinada a transformar, linguisticamente, os moçambicanos em “portugueses”. Com a independência, em 1975, esse quadro alterou-se: a rigidez normativa diminuiu, o português passou a incorporar vocábulos das línguas nacionais e o contacto com o Bloco Oriental trouxe novos termos políticos e administrativos, muitos dos quais foram abandonados após a abertura democrática dos anos 1990.
Actualmente, o português é a única língua oficial do Estado moçambicano e domina o funcionamento das instituições: tribunais, forças de defesa e segurança, administração pública, escolas e publicações oficiais utilizam exclusivamente essa língua. A rádio é o único meio de comunicação de grande alcance que também transmite em várias línguas nacionais, enquanto a televisão e a imprensa escrita operam quase inteiramente em português. Os principais jornais, como Notícias, O País, Domingo, Zambeze, Tempo, Savana e Canal de Moçambique, são publicados nessa língua e circulam sobretudo nas zonas urbanas.
Segundo o Censo de 2017, 47,4% da população fala português, embora esse percentual varie significativamente entre áreas urbanas (77%) e rurais (31,7%). Cerca de 16,8% da população utiliza o português como língua principal em casa, e 16,6% afirmam tê-lo como língua materna — números que têm crescido desde 1980, sobretudo entre jovens. Em cidades como Maputo, Matola, Beira e Nampula, o português já é dominante no ambiente doméstico e intergeracional. Ainda assim, a maioria dos moçambicanos continua a ter uma língua bantu como idioma nativo, sendo o emakhuwa (macua) o mais falado, seguido de xichangana e elomwe.
Moçambique apresenta um dos cenários linguísticos mais ricos e diversificados do espaço lusófono. Embora o português seja a língua oficial e predomine nos centros urbanos e nas instituições do Estado, as línguas nacionais continuam a desempenhar um papel essencial na construção da identidade, na expressão cultural e no quotidiano de milhões de moçambicanos. Esta convivência entre o português e dezenas de línguas bantu consolida o país como um espaço profundamente multicultural, onde o multilinguismo não é apenas um traço social, mas parte constitutiva da sua história.
Destacando-se como o país mais plurilinguístico do mundo de língua portuguesa, Moçambique caracteriza-se por não possuir uma única língua nativa falada pela maioria da população. Esta diversidade linguística mantém-se sobretudo devido a factores socioeconómicos e geográficos, com maior expressão nas províncias densamente povoadas do norte, como Nampula e Zambézia. Nessas regiões, o acesso à escolarização formal e aos meios de comunicação social predominantemente em português continua a ser mais limitado, reforçando o uso quotidiano e intergeracional das línguas locais.
O país possui mais de 40 línguas bantu, muitas ainda pouco documentadas. No norte, o suaíli é falado em zonas próximas da Tanzânia, enquanto o mwani, um dialeto do suaíli, se concentra na Ilha de Moçambique. Outras línguas relevantes incluem maconde, ciyao, sena, nianja, chona, tsonga, ronga, ndau e chope, formando uma complexa rede linguística influenciada pela mobilidade regional, pelas fronteiras coloniais e pelas interacções culturais históricas. Também existem pequenas comunidades que falam suazi e zulu em áreas próximas à Eswatini e à África do Sul. Entre minorias asiáticas — árabes, chinesas e indianas — o português é dominante, embora parte da comunidade indiana mantenha hindi ou crioulos de origem goesa.
No contexto internacional, Moçambique reforça a sua presença no espaço lusófono como membro dos PALOP e da CPLP. Além disso, Maputo e a Ilha de Moçambique integram a UCCLA, fortalecendo vínculos culturais com cidades africanas, americanas e asiáticas de expressão portuguesa.
De acordo com o censo populacional de 1997, as línguas mais faladas em Moçambique como primeira língua (língua materna) são o macua, com 26,3%, seguido do tsonga, com 11,4%, e do lomué, com 7,9%.
Moçambique é um país multilingue, com o português como língua oficial, falado por cerca de metade da população. Mais de 40 línguas de origem bantu são faladas no país, sendo o Emakhuwa (Macua) o mais comum, concentrado no Norte. Outras línguas predominantes incluem changana (sul), Sena (centro) e Ndau.
Principais Línguas e Regiões:
| Cabo Delgado | Makonde (Shimakonde), Mwani, Swahili (Kiswahili), Makhuwa (Emakhuwa), Yao (Ciyao) |
| Niassa | Yao, Nyanja (Cinyanja), Makhuwa |
| Nampula | Makhuwa (predominante), Lomwe, Koti |
| Zambézia | Chuwabu (Echuwabo), Lomwe, Sena, Nyanja, Makhuwa |
| Tete | Nyungwe (Cinyungwe), Nyanja, Sena |
| Sofala | Sena, Ndau, Chuwabu |
| Manica | Sena, Ndau, Manyika (Emanyika), Cibalke, Tewe |
| Inhambane | Tshwa (Xítsua), Tonga, Bitonga (Gitonga), Copi (Cicopi), Changana, Gitonga, |
| Gaza | Changana (Xichangana), Tshwa, Tonga, Copi |
| Maputo | Changana, Ronga (Xirhonga), Tonga, Copi |
Contexto Linguístico:
- Língua Oficial: Português (usado na administração e no ensino).
- Línguas Nacionais: Reconhecidas como património cultural, muitas são utilizadas no ensino primário.
- Multilinguismo: A maioria da população fala uma língua Bantu em casa e é bilíngue, dominando também o português.
- Língua Gestual: A Língua Gestual Moçambicana é usada pela comunidade surda.
