Chefe da Unrwa descreve Gaza como inabitável

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    Um pesadelo sem fim e um lugar inabitável. Essas foram as palavras usadas pelo comissário-geral da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, para descrever a Faixa de Gaza.

    Falando a jornalistas em Genebra nesta segunda-feira, Philippe Lazzarini disse que “as pessoas são confrontadas diariamente com doenças, mortes ou fome”.

    Mais de 620 mil crianças traumatizadas

    Ele ressaltou também que a população está agora presa e amontoada em apenas 10% do território que costumava ocupar antes do conflito.

    Lazzarini afirmou ainda que as crianças em particular passaram por uma experiência traumática profunda e estão “perdendo a fé em um futuro melhor”. Segundo ele, existem mais de 620 mil meninas e meninos vivendo em áreas urbanas que estão profundamente traumatizados.

    O comissário-geral revelou que tem tentado convencer Estados-Membros e parceiros que a educação deve ser tornada uma prioridade coletiva para além das atividades de salvamento que estão sendo implementadas na Faixa de Gaza.

    O chefe da Unrwa disse que a agência começou há um mês a trazer de volta algumas das crianças para o ambiente de aprendizagem, mas que é necessário garantir que a prática da leitura, escrita ou aritmética básica continuem acessíveis para essas crianças.

    Lazzarini enfatizou que “o único bem que nunca foi tirado dos palestinos é a educação”.

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    Condições sanitárias desumanas

    A Unrwa alertou neste fim de semana que montanhas de lixo estão se acumulando nas áreas centrais de Gaza à medida que o esgoto vaza para as ruas. As famílias não têm outra escolha senão viver ao lado dos resíduos acumulados, expostas ao mau cheiro e à ameaça de um desastre de saúde iminente.

    A agência reforça que as condições sanitárias e de vida em Gaza são desumanas. Lazzarini disse que isso que explica por que a poliomielite, por exemplo, pode reaparecer rapidamente no enclave.

    Comentando a situação no Líbano, ele disse que a Unrwa abriga atualmente 3,5 mil pessoas em nove diferentes locais, albergando não apenas refugiados palestinos, mas também sírios e libaneses que fogem do sul.

    O chefe da da Unrwa disse que no contexto mais amplo do Território Palestino Ocupado, o espaço de atuação da agência tem sido reduzido por ameaças e medidas legislativas. Segundo ele, há uma situação injusta onde um Estado-membro da ONU está tentando rotular uma agência com mandato definido pela Assembleia Geral de terrorista.

    Para Lazzarini, esse precedente vai muito além do contexto regional e “certamente pode enfraquecer” os instrumentos coletivos do sistema multilateral.

    Fonte: ONU

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