Guterres diz que operações de paz devem se adaptar a mundo com divisões

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    O Conselho de Segurança da ONU debate, nesta segunda-feira, a adaptação das operações de paz para responder a novas realidades geoestratégicas.

    O secretário-geral, António Guterres destacou que as missões da organização protegem pessoas e comunidades em alguns dos locais “mais desesperadores do planeta”, usando manutenção da paz, diplomacia preventiva, missões políticas e negociações.

    “Estoque escasso de confiança”

    Mas segundo o líder da ONU, a realidade atual é repleta de barreiras, como guerras mais “complexas, mortais e longas” e por isso, deve haver mudanças.

    Para António Guterres, “as divisões geopolíticas estão prejudicando a paz” e o “estoque de confiança é escasso” dentro dos países e entre eles.

    O secretário-geral ressaltou que grupos terroristas e extremistas, o crime organizado, a militarização de novas tecnologias e os efeitos das mudanças climáticas colocam a capacidade de resposta coletiva da comunidade internacional em teste.

    Ele lamentou a “incompatibilidade persistente” entre mandatos e recursos disponíveis para as operações de paz. Ele alertou ainda para uma “diferença crescentes de visões”, inclusive dentro do Conselho de Segurança, sobre como as missões devem funcionar.

    Unifil/Haidar Fahs
    Um soldado da paz da ONU observa de uma posição da Unifil no sul do Líbano

    Novos formatos de intervenção nos países

    Guterres afirma que é preciso trabalhar para adaptar as operações de paz tendo como base o consenso alcançado pelos países no Pacto para o Futuro.

    O caminho é tornar as missões de pacificação “mais adaptáveis, flexíveis e resilientes”.

    Guterres citou a “abordagem personalizada e coletiva” para operações de paz em um ambiente extremamente complexo e perigoso como na proposta que apresentou sobre o Haiti.

    Nela está incluído, em primeiro lugar, um processo político liderado pelo povo haitiano por meio de eleições. Em segundo o apoio da ONU para despesas logísticas e operacionais, incluindo transporte, capacidades médicas e suporte à polícia nacional.

    Esse plano serviria à força internacional estabelecida pelos Estados-membros, para que seja capaz de confrontar as gangues no Haiti e criar condições para a paz.

    Por último, os salários desta tropa seriam pagos por meio do fundo coletivo, que já existe.

    Reforma das Nações Unidas

    O secretário-geral também defendeu o fortalecimento da colaboração com organizações regionais e sub-regionais, citando a resolução 2719 do Conselho de Segurança.

    A decisão reforça a parceria com a União Africana para o estabelecimento de missões de imposição da paz sob a responsabilidade do bloco, apoiadas pelas Nações Unidas.

    Ele pediu o apoio do Conselho para a aplicação desse novo modelo.

    Guterres anunciou que está em curso uma revisão geral de todas as formas de operações de paz. Segundo ele, esse processo ajudará a informar as reformas da iniciativa ONU80, que buscam gerar eficiências e melhorias “à luz dos contínuos desafios de financiamento” da organização.

    O secretário-geral também revelou que será lançado em breve o primeiro estudo abrangente da história das missões políticas especiais implementadas durante os 80 anos de existência das Nações Unidas.

    Fonte: ONU

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