Ouro valoriza-se com temores de guerra comercial e inflação nos EUA

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    Os preços do ouro registaram uma nova valorização na quinta-feira, impulsionados por preocupações crescentes sobre uma possível escalada da guerra comercial global e pelos dados recentes da inflação nos Estados Unidos.

    O metal precioso avançou 0,6%, cotando-se a 2.922,29 dólares por onça, aproximando-se do recorde histórico de 2.942,70 dólares atingido na terça-feira. Os futuros do ouro nos EUA subiram 0,7%, negociando-se a 2.949,30 dólares por onça.

    A valorização ocorre num contexto de incerteza económica global, com investidores a reforçarem a procura pelo ouro como activo de refúgio, face às tensões comerciais e à possibilidade de uma política monetária mais prolongadamente restritiva por parte da Reserva Federal.

    Ameaça de tarifas recíprocas e impacto nos mercados

    O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que planeia impor tarifas recíprocas sobre todos os países que aplicam taxas às exportações norte-americanas. A medida, que pode entrar em vigor já na quarta-feira à noite, reacendeu os receios de uma nova escalada da guerra comercial, aumentando o risco de impacto sobre o crescimento económico global.

    A imposição de novas tarifas poderá gerar pressões inflacionárias, uma vez que tende a elevar os custos dos bens importados nos EUA. Isso reforça a percepção de que o Federal Reserve pode manter as taxas de juro elevadas por mais tempo, factor que normalmente exerce pressão negativa sobre o ouro.

    Apesar disso, os investidores continuam a procurar o metal precioso como uma forma de proteger os seus portfólios contra a volatilidade do mercado financeiro global.

    Segundo o estratega da IG Markets, Yeap Jun Rong, “o ouro continua a desempenhar um papel fundamental como diversificador de risco, especialmente em tempos de incerteza comercial e económica”

    Inflação nos EUA e política monetária do Fed

    Outro factor determinante para a recente valorização do ouro foi a divulgação dos dados da inflação nos EUA, que mostraram um aumento superior ao esperado no Índice de Preços ao Consumidor (CPI).

    A inflação de Janeiro registou o maior aumento em um ano e meio, reforçando o posicionamento do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, de que não há pressa para reduzir as taxas de juro.

    O mercado aguarda agora a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI), previsto para as 13h30 GMT, que poderá oferecer mais sinais sobre a trajectória da inflação e das taxas de juro nos Estados Unidos.

    Para Powell, “a luta contra a inflação ainda não terminou”, e os cortes nas taxas de juro só acontecerão quando houver confirmação de que a inflação retornará à meta de 2%.

    O ouro tradicionalmente funciona como hedge contra a inflação, mas taxas de juro elevadas tornam o metal menos atractivo, pois não gera rendimento.

    Mercado de metais preciosos e perspectivas futuras

    Além do ouro, outros metais preciosos também registaram ganhos na sessão:

    A trajectória do ouro e dos metais preciosos nos próximos dias dependerá do desenvolvimento das tensões comerciais globais, da expectativa sobre as taxas de juro nos EUA e da reacção dos mercados aos dados económicos que serão divulgados.

    Se o cenário de incerteza económica e inflação persistente se mantiver, o ouro poderá continuar a ser um refúgio atractivo para os investidores, reforçando a sua posição nos mercados internacionais.

    Fonte: O Económico

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